Estamos a viver tempos conturbados, com repercussões negativas para quase todas as áreas de negócio e para a sociedade em geral. Em muitas áreas, só se irá sentir este choque mais à frente, como é o caso das obras ou no perfil de consumo, como é também o caso do imobiliário. Mas talvez valha a pena pensar de um outro ângulo, porque nem tudo é mau e, mesmo em cenários pandémicos, podemos ver aspetos mais positivos.

Não são raros os casos de empresas que conseguiram reinventar-se nesta nova realidade, oferecendo novos serviços ou adaptando o que já ofereciam, procurando oportunidades dentro das necessidades da população. E não se trata de oportunismo, mas sim de saber ajustar-se para tirar o melhor de cada situação, mesmo das mais desafiantes, e, principalmente, de não desistir.

Na Construção e no Imobiliário, áreas que acompanho há mais de uma década, as consequências também não têm sido agradáveis. Há um grande esforço de todos para manter as obras, para que o rombo no setor – para empresas e trabalhadores – seja minimizado, mas seguem, evidentemente, com um outro ritmo, de acordo com as exigências, com redução de equipas e reforço das medidas de segurança. Há uma incerteza sobre se o investimento publico previsto irá sair da gaveta e se existe uma visão estratégica que perceba que este investimento pode ser um dos meios para alavancar a economia e dar mais um sinal de confiança. Na compra de imóveis o cenário é idêntico: com o confinamento e a dúvida a marcar os nossos dias – e os próximos meses -, a procura de imóveis caiu grandemente e estão a fazer-se muito poucos ou nenhuns negócios. Como consequência, há uma expectativa na baixa de preço e até os alojamentos turísticos, à falta de turistas, voltaram a estar disponíveis para arrendamento local.

Ora, parece tudo negativo, mas na verdade não o é. Na verdade, estas baixas de preço nos imóveis podem representar uma janela de oportunidade para quem já pensava adquirir uma habitação e que agora o pode fazer a preço mais acessível, sendo igualmente expectável uma maior disponibilidade dos proprietários para negociar os valores de venda e arrendamento. Por outro lado, há também mais escolha, já que, ao contrário do que acontecia – com as casas a serem vendidas numa questão de dias ou mesmo horas -, agora as habitações ficam mais tempo no mercado.

E habitação à parte, isto é também válido para quem tem algumas poupanças que possa investir. O imobiliário sempre deu bons retornos a médio/longo prazo, pelo que, tendo algum dinheiro disponível, pode ser uma ótima altura para investir na compra de alguns bens, seja para colocar no mercado de arrendamento ou para vender quando o mercado voltar a estar em alta. Porque o vai estar! Todas as crises são cíclicas e, passada a tempestade, virá a bonança. Por isso, cabe-nos estar atentos, aproveitar as melhores oportunidades e rentabilizá-las quando for tempo disso.

Mesmo em cenários aparentemente catastróficos, como o que atravessamos com a Covid-19, é essencial mantermo-nos confiantes e despertos, pois só assim conseguiremos dar a volta por cima e – quiçá – tirar ainda algum proveito com as portas que se abrem.

Artigo: casa.sapo.pt

Fonte: eco.pt